American McGee’s Alice
Março 14, 2009 at 10:24 am | In Descategorizado | 1 CommentTags: alice
Correto.
Eu peguei esse jogo já tem um tempinho e nunca tinha dado bola pra ele, o coitado estava encostado e perdido em meio a uma pilha de DVDs semelhante à Torre de Pisa.
Joguei-o e curti cada momento dessa magnífica versão de Alice. Logo após a jogatina corri para o senhor google para ver as impressões de pessoas que tambem tinham terminado o game e rir sozinho na frente do pc( eu sei que é um costume feio, mas enfim…). Por meio de vários links eu encontrei uma postagem do Eduardo Furlan, moderador do forum OuterSpace que disse tudo o que eu poderia comentar a respeito do jogo em um Review muito bom falando do jogo e também dando uma pincelada no conto Alice.
Deliciem-se
“Salve dinossauros da Outer.
Primeira vez que eu faço um tópico desses aqui no Retro. Confesso que fiquei meio intimidado, afinal, o nível dos tópicos aqui é coisa finíssima. Mas me esforcei bastante, e acho que obtive um resultado final satisfatório. Espero que curtam!
Além de simplesmente analisar o jogo, decidi fazer um pequeno especial, contando sobre as origens do personagem Alice e tudo mais. Ficou meio grande, mas acho que dá pra ler numa boa.
Sem mais delongas, segue o especial:
Lewis Carroll
Foto de Lewis tirada por ele mesmo.
Na verdade, Lewis Carroll era o pseudonimo usado por Charles Lutwidge Dodgson para assinar seus textos. Nascido na cidade de Cheshire (Inglaterra) a 27 de janeiro de 1832, filho de um pastor da igreja anglicana, Lewis recebeu uma educação religiosa, e foi preparado para, como seu pai, tornar-se um pastor. Entretanto, abandonou a vida religiosa e ingressou na universidade de Oxford, onde mais tarde tornaria-se professor de Matemática até 1881.
Em Oxford, já parte do corpo docente, Lewis conheceu Henry Lidell, que acabou tornando-se seu melhor amigo. Henry era pai de 3 meninas, entre elas Alice, que viria a se tornar a principal inspiração para seu mais famoso romance. Mas falaremos disso depois.
Muito embora seu grande legado artístico tenha sido Alice no País das Maravilhas, Lewis publicou em vida diversos livros acadêmicos sobre geometria, álgebra e lógica. Ele era fascinado por enigmas que envolvessem lógica e raciocínio matemático em sua resolução, tema esse que foi objeto de estudo em diversos de seus livros, e até mesmo Alice é repleto de enigmas, charadas e afins.
A partir de 1850, Lewis descobre uma nova vocação: a fotografia. Seu principal objeto de retrato eram crianças, muitas vezes nuas ou seminuas. Muito embora ele sempre solicitasse autorização dos pais das crianças para tal, existe uma série de suspeitas de que Lewis era um pedófilo. Seu gosto por fotografar crianças, somado a grande amizade que matinha com várias delas, são um ponto controverso de sua vida; assim como as suspeitas de uso de drogas pesadas (que teriam inspirado grandemente as situações e cenários nonsense de Alice. Vale lembrar as menções a cogumelos presentes nesta obra).
Duas semanas antes de completar 66 anos, a 14 de janeiro de 1898, Lewis falece, vítima de pneumonia.
Alice Liddel
Foto de Alice Liddel tirada por Lewis Carroll
Alice Liddel nasceu a 4 de maio de 1852. Segunda filha de Lorina Hanna e Henry Lidell, grande amigo de Lewis Carroll. Mais tarde, ainda na infancia, tornou-se muito próxima do escritor. Foi inclusive fotografada por ele, e não são pequenas as evidencias de que Lewis se sentia romantica e sexualmente atraído pela jovem Alice.
Quando Alice contava 11 anos de idade, Lewis afastou-se de sua família, em circunstâncias nunca totalmente explicadas, e a partir de então, seja qual fosse a relação entre Lewis e Alice, esta foi gradualmente desaparecendo.
Controvérsias a parte, Alice tornou-se inspiradora de uma das obras mais famosas da literatura universal, que veremos no próximo tópico.
Alice no País das Maravilhas(Alice’s Adventures in Wonderland)
Capa da primeira edição de Alice no País das Maravilhas
Muito embora Lewis Carroll seja autor de inumeras obras academicas e poemas, seu grande legado é este livro, publicado pela primeira vez em 1865, e escrito entre 1862 e 1865.
Lewis começou a compor este livro durante um passeio de barco com as três filhas de Henry Lidell. Como as meninas estavam entediadas durante o passeio, Lewis contou uma história para entrete-las, não coincidamente protagonizada por uma menina chamada Alice.
As meninas adoraram a história, e Alice pediu a Lewis que a escrevesse, para que ela pudesse ler novamente. Ele assim o fez, o livro acabou sendo publicado, tornando-se imediatamente fenomeno de vendas e objeto de culto de indivíduos ilustres tais como Oscar Wilde e a própria Rainha Vitória. Atualmente, estima-se que Alice no País das Maravilhas (Alice’s Adventures In Wonderlands, no original), já tenha sido publicado em mais de 100 edições diferentes, e traduzido para nada menos que 125 idiomas.
O enredo do livro trata de uma jovem, chamada Alice, que numa tarde entediada à beira de um rio, vê um coelho branco e o segue para dentro de sua toca. Ela acaba, com isso, sendo transportada a um mundo deveras estranho, governado pela Rainha de Copas e habitado por indivíduos tais como o próprio Coelho Branco, o Gato de Cheshire, o Chapeleiro Louco, e muitos outros personagens que tornaram-se iconicos na cultura pop ocidental. O livro acompanha as desventuras de Alice por esse estranho mundo, para no final descobrirmos que tratava-se apenas de um sonho da mesma. 





Uma série de ilustrações retratando personagens da obra. Da esquerda para a direta: Alice, Chapeleiro Louco, Coelho Branco, Lagarta, Alice segurando um flamingo-taco de croque com a Duquesa; e o Gato de Cheshire, em ilustrações de John Tenniel, e Alice com o Coelho Branco em ilustração de Arthur Rackham.
Alice graças a narrativa totalmente nonsense e surreal, e a prosa interessantíssima de Lewis Carroll, recheada de trocadilhos, enigmas e jogos de palavras, tornou-se um dos livros mais iconicos da literatura universal. As referências a esta obra são extremamente abundantes na cultura pop, e diversas adaptações para cinema e teatro foram feitas, a mais famosa delas lançada em 1952 pela Disney, tendo obtido grande sucesso e recebido uma indicação ao Oscar. 




Cenas do longa animado da Disney. Da esquerda para a direita: Alice com Twindle-Dee e Twindle-Dum, o Coelho Branco, Alice toma chá com a Lebre de Março e o Chapeleiro Louco, Alice conversa com a Lagarta; o Gato de Cheshire, e Alice com a Rainha de Copas.
Como todos já devem ter notado, Alice é uma obra infantil. Embora possa ser apreciada por adultos, em sua essencia é uma narrativa cômica e leve, ideal para as crianças. Ou pelo menos assim era, até cair nas mãos de um indivíduo chamado American James Mcgee, ou apenas American McGee, como viria a ser mundialmente conhecido.
American Mcgee
American James McGee nasceu a 13 de dezembro de 1972 nos EUA. Tornou-se designer de jogos eletronicos, e trabalhou na iD software, em jogos aclamados como Doom 1 e 2 e Quake 1 e 2. No ano de 1998, passou a trabalhar na EA, onde conceberia o projeto que o tornou mundialmente famoso no ramo: American McGee’s Alice.
Após Alice, ele ainda trabalhou em jogos como Bad Day LA e Scrapland, que não obtiveram o mesmo sucesso de crítica que Alice. Atualmente ele está envolvido com American McGee’s Grimm, baseado nos contos de fada do escritor alemão, e que está sendo lançado em episódios semanais.
Isso, porém, é assunto para outros tópicos. No momento, nosso objetivo é focar em sua obra máxima:
American McGees Alice
A capa do jogo, com Alice adolescente empunhado uma faca e acompanhada de Gato de Cheshire esquelético e distorcido, já dá o tom do clima que nos espera.
American McGee’s Alice tem como proposta lançar um novo olhar sobre o rico universo criado por Lewis Carroll. Ao invés da narrativa leve, da estética colorida e do público alvo basicamente infantil, temos um jogo pesado, sombrio, macabro, com cenários e enredo que não deixam nada a dever aos mais horripilantes jogos de terror.
O mais genial, é que o jogo não abre mão, em nenhum momento, do universo tradicional de Alice. Todos os elementos e personagens que fizeram história na obra de Carroll aparecem neste jogo. A diferença é que, se Alice originalmente parecia um sonho, aqui a estética vigente é a de pesadelo. Por exemplo, o outrora inofensivo Chapeleiro Louco, aqui é um cientista insano, que sequestra crianças para experimentos como lobotomia e implantação de partes mecanicas. A Lebre de Maio e o Dormidongo, antigamente seus companheiros durante o chá, tornam-se vítimas de seus experimentos macabros. O País das Maravilhas encontra-se mergulhado em conflitos e guerras. A Duquesa tornou-se uma canibal. E por aí vai. American McGee’s Alice definitivamente não é jogo para crianças. E, definitivamente, trata-se de um jogo com uma arte e uma ambientação inacreditáveis.
O enredo já dá o tom do que nos espera. Após a primeira aventura de Alice no País das Maravilhas (narrada no romance clássico de Carroll), a vida da pequena mudou. Seus pais morreram no incendio, ela sobreviveu mas ficou com graves sequelas mentais em decorrencia do trauma, e desde então está internada, em estado cataonico, num hospício. Sete anos mais tarde, Alice é trazida mais uma vez para o País das Maravilhas, por obra do Coelho Branco (como sabemos, o País das Maravilhas localiza-se dentro da mente de Alice). Porém, ao chegar lá, algo está diferente. O País das Maravilhas agora é uma terra decadente, arrasada, distorcida, tiranizada pela Rainha de Copas e seus servos.
Cabe a Alice, com a ajuda do Gato de Cheshire, do Coelho Branco e de alguns poucos aliados, derrubar o reinado da Rainha de Copas, e restaurar a paz ao País das Maravilhas.
Alice é, basicamente, um jogo de ação em terceira pessoa, com toques de plataforma. Controlamos, claro, a própria Alice, que vale-se de uma série de armas para combater os diversos capangas da Rainha de Copas. Estas armas fazem alusão à infância (um jogo de Jacks com lâminas que retalham os inimigos, uma caixinha de música explosiva e lança chamas, um par de dados que invoca um demônio para combater os inimigos), ao próprio universo de Alice (o lançador de cartas de baralho, e o flamingo taco de croque) e outras são inéditas (a lança que atira gelo ou a faca).
As armas, como percebemos, fogem do óbvio. Alice está muito longe de ser um jogo de tiro. No início do jogo, a grande maioria dos combates são resolvidos no corpo a corpo. Mesmo em estágios mais avançados, os combates sempre envolvem muita proximidade entre Alice e seus inimigos, e torna-se essencial escolher a arma certa para cada situação. Os armamentos não possuem munição individual. Todos eles consomem energia de uma mesma barra. Todos os inimigos, quando derrotados, fornecem itens que recarregam tanto esta barra quanto a de energia. Então, é sempre preciso planejar bem o combate, de forma a matar primeiro os inimigos mais fracos, evitando assim ser pego "de calças curtas" sem poder disparar arma nenhuma.
Por tudo isso, o combate em Alice é bastante intenso e interessante, apesar das deficiencias da jogabilidade (que falarei mais a fundo em breve).
Alice, porém, não fica só nos combates. O jogo também é recheado de puzzles bastante criativos, que exigem lógica e observação para serem solucionados. Há também algumas pitadas de exploração, e momentos bem plataforma, onde o que faz diferença são os pulos certeiros. Infelizmente, a jogabilidade prejudica essas etapas mais voltadas para a plataforma, já que os pulos são totalmente imprecisos e bem difíceis de se controlar.
GRÁFICOS
Mesmo com seus 8 anos de idade, American McGee’s Alice é um jogo belíssimo, que não faz feio nem perante jogos mais modernos. As texturas são ótimas, os cenários e personagens muito bem trabalhados, há belos efeitos de luz e água, e; considerando-se a época do lançamento, a física é muito boa, contando com detalhes como o laço no vestido de Alice, que se movimenta de acordo com os movimentos dela. Quem tiver uma placa de vídeo mais moderna pode colocar alguns filtros, e obter um resultado ainda melhor.
NOTA: 20/20
SOM
As dublagens são deveras inspiradas, cada personagem possui um timbre e uma entonação que casam perfeitamente com suas demais características. O sotaque carregado de Alice por exemplo, ou o timbre macio e grave do Gato de Cheshire.
As músicas não ficam atrás, são sensacionais. Compostas pelo baterista da banda Nine Inch Nails, as canções misturam elementos como piano, percussão e caixinhas de música. O resultado é primoroso, com músicas suaves, melancólicas, sombrias e que de certa forma nos remetem a infância. Só pena as canções serem tão curtas e minimalistas, o que algumas vezes as torna repetitivas.
NOTA: 9/10
JOGABILIDADE
Aqui reside o calcanhar de Aquiles deste jogo. Infelizmente, a jogabilidade é muito simplista. Os combates por exemplo, são extremamente rasos, do tipo "apertar um botão e esperar". Não há como manter a mira fixa em um inimigo, não há métodos eficazes para de desviar de ataques, não há combos, não há variedade de ataques corpo a corpo.
E os pulos são lamentáveis. Em alguns momentos, já mais próximos do final do jogo, onde os pulos precisos são indispensáveis para se avançar, o jogo chega a ficar frustrante. É muito difícil controlar adequadamente os pulos de Alice, o sistema de se agarrar automaticamente nas bordas é falho, e nunca sabemos onde vamos cair.
Claro que com o tempo é possível se acostumar. Porém, não há desculpa. a jogabilidade é fraca mesmo. Pelo menos, os comandos são poucos e fáceis.
NOTA: 13/20
ARTE
Se a jogabilidade é uma mancha em American McGee’s Alice, a arte é o diamante que mais brilha nele. Faltam palavras para descrever a extremamente bem sucedida transição do universo de Alice, de um local belo, colorido e pueril, para uma terra distorcida e monstruosa. Os cenários alternam localidades sombrias, outras quase bucólicas, outras ainda mais voltadas para a melancolia, outras que parecem saídas direto de um jogo de horror tal como Silent Hill. E tudo isso sem, em nenhum momento, descaracterizar o rico universo aliciano. Mesmo nos momentos mais horripilantes, lá estão o humor nonsense, as situações cômicas e absurdas; enfim: a arte desse jogo deixaria orgulhoso Lewis Carroll. É uma das direções de arte mais inspiradas já vistas num videogam em todos os tempos, apenas isso.
O enredo não fica atrás. Personagens e situações vistas no livro rendem momentos muito bem sacados. A história em si é bastante diferente do livro, até porque trata-se de uma sequencia da mesma. Mas ela é perfeitamente compatível com o universo criado por Carroll, e nós chegamos mesmo a pensar que foi ele próprio quem a escreveu.
NOTA: 20/20
DIVERSÃO
Alice é o tipo de jogo que te deixará grudado na tela. A despeito de sua jogabilidade meia boca, a variedade de desafios, armas e ambientes, e o desejo de acompanhar o denserolar do enredo nos mantém colados ao monitor até o jogo acabar. Cito ainda como ponto forte o desafio equlibrado e o combate que se torna melhor conforme adquirimos novas armas.
Como ponto fraco fica a jogabilidade, que torna certos desafios muito frustantes.
NOTA: 26/30
CONCLUSÃO
American McGee’s Alice é um dos melhores jogos já feitos. Ponto. A despeito de suas imprefeições, algumas até bastante graves, é um jogo que simplesmente não deve passar em branco por ninguém. Todos devem joga-lo, nem que seja para entender como a direção de arte em entretenimento eletronico faz toda a diferença, e deveria ser levada muito mais a sério.
NOTA FINAL: 88/100
Screenshots 













Reparem nas fotos a aparição de alguns personagens, como o Gato de Cheshire, o Coelho Branco, O Chapeleiro Louco e a Rainha de Copas, na visão de American McGee.”
PS: esta postagem foi autorizada pelo Furlan, e para conferí-la na íntegra clique aqui.
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Tem como se entrar no castelo ke tem em uma das primeiras fazes ?
Comment por anderson — Outubro 15, 2009 #